terça-feira, 17 de maio de 2016

O Presente e o Futuro do Sector Bancário. E o passado? Não se resolve?

Aconteceu hoje, promovido pelo canal de televisão TVI24, uma conferência com o nome de “ O presente e o Futuro do Sector bancário”.


Assisti atentamente a esta conferência para verificar quais as mudanças que seriam introduzidas de forma a serem evitadas as situações vividas num passado, muito recente aliás, provocado por algumas das instituições deste sector e que tão caro saíram ao país.

Mas logo após ao término desta conferência, fiquei com a sensação de nada iria mudar, nada do passado seria resolvido e que tudo irá se manter igual, senão vejamos:

Disse o 1º Ministro que os portugueses não iriam contribuir mais para a banca, nem seriam estes a suportar mais as dívidas dos mesmos. Até aqui tudo bem, de acordo, mas foi o que aconteceu recentemente com o Banif? Não, não foi. Esse banco foi vendido pelo “preço da chuva” ao Santander Totta por 150 milhões de Euros, no entanto foram aplicados neste banco 489 Milhões de Euros do Fundo de Resolução e 1.766 Milhões de Euros por parte do Estado que, ao fim e ao cabo, somos todos nós;

Falaram-se das vantagens da Supervisão Bancaria, contudo não foi falado das incompetências constantes do Supervisor deste sector, que em Portugal é, como se sabe, o Banco de Portugal. Convém lembrar que este Supervisor, independente e autónomo, não detetou irregularidades graves e fraudulentas nos casos do BPN, BPP, BES e por fim no caso do Banif;

Uma das afirmações mais acertadas que ouvi nesta conferência, saiu da boca do Sr. Fernando Ulrich, quando referiu que existem bancos bem geridos e outros mal geridos, mas no entanto não ouvi qualquer referência à punição e de que forma a mesma deveria ser aplicada a estes “maus gestores bancários”. Nada desse assunto foi falado. Já agora, penso que se lembram que o senhor em questão foi o mesmo que proferiu a famosa frase “Ai aguenta, aguenta”, referindo-se aos portugueses, que em 2011 estavam a sofrer uma terrível austeridade, e esquecendo-se que o próprio banco, ao qual presidia e que ainda preside, estava a ser intervencionado pelo estado, e com o dinheiro de quem? Vocês sabem muito bem.

Outro facto não falado tem a haver com a criação de mecanismos que puna de forma célere os principais culpados das maiores fraudes neste sector. Segundo me lembro, o caso BPN foi considerado uma das maiores fraudes de que há memória em Portugal, mas ao fim de quase 8 anos de investigações, inquéritos parlamentares, ainda não existem quaisquer condenações e o caso acabou por cair no esquecimento, mas esta fraude ainda perdura no bolso dos contribuintes. Temo que pelo mesmo caminho irá seguir o caso BES.

 Também não me recordo de se ter falado nos lesados do BPN, BPP e BES? Esses não contam? Então os depositantes, a razão pela qual existem os bancos, não fazem parte deste sistema? Pelo que ouvi, parece que não. Segundo me pareceu, os depositantes apenas fazem parte do sistema quando têm que pagar pelas “brincadeiras” deste sector.

Para finalizar, apenas queria lembrar de que não podemos avançar para o futuro sem primeiro resolvermos o passado e o que vi nesta conferência, foi exatamente o contrário.

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