Tem-se assistido nestes últimos dias a
um braço de ferro entre o Governo e as Cooperativas de Ensino Privado. O tal
medir de forças é devido ao anunciado corte, efetuado para o próximo ano letivo
por parte do Governo, que levará a uma redução do número de turmas pagas pelo Estado nos
estabelecimentos de ensino privado.
Estes contratos de associação entre o
Estado e as Cooperativas de Ensino Privado, surgiram numa altura em que a rede pública de escolas em certas regiões, não era suficiente para as necessidades de absorverem todos os alunos nelas existentes.
Durante muito tempo estes contratos de
associação foram de extrema importância para o País, e em certas regiões
continua a sê-lo, mas estes contratos nunca, em forma alguma foram definitivos,
mas sim temporários, a título excecional, sendo analisados periodicamente no sentido
de se verificar a sua utilidade.
Na defesa do ensino privado têm sido
usados, por parte de quem é favor da continuidade destes contratos sendo necessários
ou não, argumentos que em alguns casos roçam o ridículo como:
- A liberdade de escolha está posta em
causa. Ora essa liberdade por parte dos pais continua, podem livremente
escolher onde os filhos devem estudar, contudo essa escolha deve ser paga pelos
próprios pais e não acharem que têm direito a essa escolha e que alguém deve
pagar por ela. Não é de todo justo que os pais, cujos filhos frequentam escolas que
em alguns casos estão degradadas, com falta de professores e funcionários, paguem com os seus impostos as escolhas de outros colocarem os filhos em
escolas privadas com tudo do melhor que se pode dar a um aluno, como disse, não é justo.
- As crianças, incentivadas pelos pais e pelos diretores dos Colégios, gritam que gostam muitos
da sua escola e que não querem mudar. No ensino publico, as crianças chegam ao
fim do 4º ano e têm de mudar de escola, por mais que gostem da anterior. Muitos
são os casos de que chegam ao fim do 9º ano e têm de sofrer uma nova mudança. Essas
não as vêem a gritar de que não querem mudar de escola nem ninguém preocupado
com isso;
- Que se está a colocar em risco muitos
postos de trabalhos. Sim é um facto de que algumas pessoas ficarão sem trabalho
com o fim destes contratos, mas no ensino publico, fruto da diminuição do número de
alunos, também se verifica um decréscimo no número de funcionários e professores e
não vejo ninguém dos que defendem o ensino privado, preocupado com esta
situação. Algumas destas escolas públicas estão a ficar sem alunos porque têm a
menos de 5 minutos de distância um colégio privado e os alunos que deveriam
frequentar essa escola são canalizados para esse colégio;
-Por fim, e o mais ridículo são os
partidos que nos governaram até Setembro de 2015, onde tiveram de efetuar
cortes brutais na despesa do Estado, em alguns dos casos, sejamos justos, necessários,
agora defenderem a continuidade dos contratos de associação sejam úteis ou não.
Com esta defesa, estão a defender a duplicação da despesa do Estado com o
ensino. Não os vejo defender as crianças que têm de percorrer Km para
frequentar a escola sem ajudas para isso. Também não os vejo defender os pais
que vêm as escolas perto de casa a encerrarem e os seus filhos deslocados para escolas a Km
de distância. Promoveram politicas de austeridade que colocaram no desemprego
milhares de portugueses e obrigaram outros a emigrar e agora estão preocupados com algumas centenas que se
possam perder com o fim destes contratos.
Estes argumentos já não convencem os
Portugueses a aceitarem que este tipo de negócio continue a ser feito apenas para beneficio de alguns com prejuízo para muitos. Está na hora de dizer
basta e este Governo decidiu fazê-lo, pelo menos por agora.
Sem comentários:
Enviar um comentário