domingo, 29 de maio de 2016

Manifestação pelo Ensino Privado.Os argumentos que já não convencem.

Realizou-se hoje em Lisboa, uma manifestação organizada pelas Cooperativas de Ensino Privado, contra a decisão do Governo em não manter contratos de associação com alguns estabelecimentos privados de ensino, onde participaram não só os pais dos alunos, alunos e outros interessados nesta luta, mas também alguns políticos, que aproveitaram esta manifestação apenas (como é hábitos destes senhores) para fins  políticos, mas a esses já lá vamos.

Esta manifestação aconteceu sob o argumento da defesa do ensino privado, não da qualidade desse ensino nem na defesa de quem lá trabalha, pelo menos eu não ouvi o que quer que fosse relacionado com estes 2 pontos.

Os argumentos usados foram os mesmos de sempre, liberdade de escolha por parte dos pais, a defesa dos alunos que não querem mudar de escola e de que o Estado deixará de continuar a pagar pelas turma que existem nos Estabelecimentos Privados de Ensino.

Estes argumentos, pelo menos para mim, não são válidos nem sérios, porque o direito à escolha continua a existir porque os pais e bem, continuam a ter o direito de escolher o que consideram melhor para os filhos, contudo deverão ter em mente que deverão pagar essa escolha e não os outros. 

Todas as crianças que frequentam o ensino público mudam de escola, pelo menos uma vez, quando mudam de ciclo e não é por isso que são prejudicadas, nem o seu sucesso escolar "beliscado".

Quanto ao argumento de que o Estado deixará de vez de pagar as turmas desses colégios privados, também não é verdade, até porque o Estado compromete-se a pagar pelas turmas até ao final de ciclo e apenas não pagará a criação de novas turmas e isto em situações em que estes contratos sejam desnecessários.

As Cooperativas não falam que o real motivo, tem a ver com o dinheiro que deixarão de receber do Estado e consequentemente, com uma futura diminuição do lucro.

Por fim, os políticos que hoje decidiram dar apoio a esta manifestação, alguns, se calhar, deviam tomar medicamentos para a falta de memória do que fizeram num passado bem recente.

O Sr. Deputado Pedro Mota Soares, dos poucos políticos que deram a cara nesta manifestação, falou em falta de racionalidade do Governo com este assunto e que a despesa com a manutenção destes contratos seria apenas 0,1% do orçamento do Min. da Educação. Ora, este senhor foi Ministro da Segurança Social e deve ter-se esquecido dos cortes que efetuou prejudicando gravemente muitos Portugueses como, os cortes nas pensões, nos subsídios de doença e desemprego. Também se esquece que este ano e devido à necessidade de se controlar a despesa do Estado, o Orçamento para a educação teve um corte de 82M de Euros e que logo, há necessidade de se racionalizar os custos com este setor.

Outro Sr. que também por lá apareceu foi mais um daqueles deputados profissionais (pois ainda não lhe conheci outra profissão), o Sr. deputado Duarte Pacheco, que afirma que o Ministério da Educação “está comando por forças estalinistas”, mas esquece-se de que o seu partido, enquanto governo, criou as maiores dificuldades aos Portugueses, tal como Estaline criou aos Russos quando era líder da ex-União Soviética

Dito isto, posso concluir que o “barulho” feito por esta medida do Governo apenas e só está relacionado com o prejuízo, sendo mais correto dizer menor lucro, que alguns “amigos” de alguns partidos, poderão ter com a revisão e o fim de alguns destes Contratos de Associação.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

As Sérias Operadoras de Telecomunicações em Portugal

Todos nós de uma forma ou de outra temos algum contrato com uma das Operadoras de Telecomunicações que atuam no mercado nacional. Na maioria, esse contrato é referente ao serviço fixo que temos em casa, chamada tecnicamente por 3P (Triple Play). 

Mas andaremos a pagar demais por este serviço? Somos obrigados a cumprir um contrato de permanência, mas será que estas empresas também cumprem a sua parte? E quanto à refidelização, será que somos bem esclarecidos? 

Andaremos a pagar demais por este serviço?

Após ter efetuado uma análise, verifiquei que neste momento estamos a pagar mais 20% do que a média do resto da Europa por este serviço. As operadoras dizem que prestam um serviço de melhor qualidade  em Portugal relativamente ao que é prestado no resto da Europa, como as gravações ate 7 dias e a velocidade da Internet. Tal não corresponde à verdade, pois no resto da Europa também existem as chamadas gravações automáticas. Também no resto da Europa, um serviço em ADSL, com menor qualidade do que a fibra, é bem mais barato mas em Portugal o preço é igual.

Somos obrigados a cumprir um contrato de permanência, mas será que estas empresas também o cumprem?

Quando assinamos um contrato para termos em casa este serviço, sabemos que temos dois anos de permanência durante os quais pagamos o valor que foi contratualizado. O mesmo seria de esperar destas Operadoras mas tal não se verifica. Estas Operadoras alteram o conteúdos dos pacotes que inicialmente contratualizaram sem avisarem, ou seja, no inicio temos canais que depois são retirados e substituídos por outros. Dou-vos o exemplo da minha Operadora, que alterou o contudo do Pacote que me vendeu sem me avisar e substituiu esses canais por outros, que ainda não sei quais são, só sei que na posição onde se encontravam alguns dos canais que mais via já lá não se encontram disponíveis. Mas o preço do serviço não foi alterado, mantém-se, obviamente. Se reclamar, irão me dizer que têm essa autonomia de alteração e se eu quiser rescindir contrato ainda sou ameaçado com uma penalidade. 

Quanto a refidelizações. Somos bem esclarecidos?

Não, as Operadoras por motivos da sua conveniência não esclarecem os clientes quanto às refidelizações. Basta existir uma alteração do tarifário inicialmente contratado, mesmo para um mais caro, que a operadora presenteia de imediato o cliente com mais dois anos de permanência. Basta ter-se de mudar de casa, que a operadora irá aumentar por mais dois anos a fidelização, caso o cliente não queira pagar a nova instalação que em média custa 120€. Basta trocar de tecnologia para que a mesma tenha o custo de mais dois anos de fidelização. Basta o cliente adquirir algum equipamento como telemóveis, tablets ou televisões que o cliente irá ficar fidelizado por mais dois anos.
Como se vê, tudo isto serve para prender o cliente o maior tempo possível e o mesmo não sabe.

Triste Conclusão

Após esta análise cheguei à conclusão de que andamos mesmo a ser enganados por estas respeitáveis empresas. Alteram canais sem avisarem os clientes, fidelizam os clientes sem estes saberem, se os clientes ficam sem serviços durante dias, têm a coragem de apresentar a fatura sem ressarcirem o cliente pelo prejuízo e no entanto, cobram o valor mais elevado da Europa pelo serviço que prestam. Andam a brincar com a nossa inteligência e ainda pagamos para isso. Estou farto.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

O fim das greves sem sentido no Porto de Lisboa

Deparamos-nos hoje com a notícia de que os Operadores do Porto de Lisboa iriam avançar para o despedimento coletivo dos estivadores, despedimento esse causado pelas inúmeras greves efetuadas.

 

O motivo, segundo os Operadores, deve-se às greves sucessivas que levaram a uma diminuição de cerca de 50% da atividade do porto, logo existe atualmente um excesso de trabalhadores.

 

Os Operadores afirmam que este despedimento não se trata de uma qualquer vingança pelas sucessivas greves, mas sim uma necessidade, mas será verdade?


Será que após esse despedimento, caso venha a acontecer, não irão substituir os atuais estivadores por outros mais mal pagos e com piores condições de trabalho? 

Iremos aguardar para ver.


Quanto aos estivadores, será que têm noção de que as suas sucessivas greves prejudicam gravemente o porto onde trabalham? 

Com esta actual greve, fala-se em prejuízos de 300.000€ diários e sendo estes valores verdadeiros, não há no mundo empresa que resista por muito tempo.


Será que estes senhores ganham assim tão mal e com péssimas condições de trabalho que justifiquem tantas greves? 

Em 2016, 1,2 milhões de Portugueses ganham, em média, cerca de 600€ mensais em empregos com folgas rotativas, com horários rotativos que vão das 08H às 24H e com contratos a termo incerto, isto é, hoje trabalham mas amanhã poderão não trabalhar. Estes portugueses não passam o ano em greve.


Será que estes senhores Estivadores sabem o mal que fazem à economia portuguesa?

Neste momento, em que as exportações necessitam de aumentar, estão a prejudicar as empresas exportadoras, mantendo em terra os contentores e impedindo as mesmas de cumprirem os prazos acordados com os clientes. Ao não descarregarem os navios, estão a contribuir para que muitas empresas fiquem sem laborar por falta de matéria-prima. Isto faz com que muitos dos portugueses, que até ganham menos do que um “pobre estivador”, fiquem com os seus empregos em risco. Estes portugueses não irão fazer greve.


Será que estes senhores sentiram na pele a crise que a maioria dos portugueses sentiu? 

Não me parece, pois ao longo do tempo e com base nas suas greves injustificadas foram mantendo as suas regalias. A maioria dos portugueses não andou em greves sucessivas.


Será que estes senhores irão melhorar as suas condições de trabalho e de rendimento?

Ainda não sabem, mas de certeza que irão ficar muito pior. Os Operadores irão tentar, dentro da Lei, despedir o maior número de Estivadores possível e de seguida contratar outros, em sua substituição, com salários mais baixos e com condições precárias de trabalho. Muitos destes novos estivadores, serão quase de certeza os mesmos que agora provocam prejuízos ao Porto de Lisboa e à economia e que ficarão à mercê dos patrões sem direito a reclamar seja o que for. Depois não irão fazer greves.


Estes senhores não conseguiram o apoio dos portugueses para a sua luta, pois foram das classes profissionais que pouco ou nada contribuiu para que Portugal saísse da terrível crise em que se encontrou. Esta crise levou muitos dos nossos portugueses a reinventarem-se para sobreviver, a mudarem de vida, de cidade e de país. Foram estes que “safaram” o país, ao contrário de alguns, como os Estivadores do porto de Lisboa, que prejudicaram a nossa economia na intenção mesquinha de manterem as suas regalias, muito vulgarmente chamados “tachos”.





sábado, 21 de maio de 2016

O Fim do Ensino Privado que é pago pelo Estado

Tem-se assistido nestes últimos dias a um braço de ferro entre o Governo e as Cooperativas de Ensino Privado. O tal medir de forças é devido ao anunciado corte, efetuado para o próximo ano letivo por parte do Governo, que levará a uma redução do número de turmas pagas pelo Estado nos estabelecimentos de ensino privado.

Estes contratos de associação entre o Estado e as Cooperativas de Ensino Privado, surgiram numa altura em que a rede pública de escolas em certas regiões, não era suficiente para as necessidades de absorverem todos os alunos nelas existentes.

Durante muito tempo estes contratos de associação foram de extrema importância para o País, e em certas regiões continua a sê-lo, mas estes contratos nunca, em forma alguma foram definitivos, mas sim temporários, a título excecional, sendo analisados periodicamente no sentido de se verificar a sua utilidade.

Na defesa do ensino privado têm sido usados, por parte de quem é favor da continuidade destes contratos sendo necessários ou não, argumentos que em alguns casos roçam o ridículo como:

A liberdade de escolha está posta em causa. Ora essa liberdade por parte dos pais continua, podem livremente escolher onde os filhos devem estudar, contudo essa escolha deve ser paga pelos próprios pais e não acharem que têm direito a essa escolha e que alguém deve pagar por ela. Não é de todo justo que os pais, cujos filhos frequentam escolas que em alguns casos estão degradadas, com falta de professores e funcionários, paguem com os seus impostos as escolhas de outros colocarem os filhos em escolas privadas com tudo do melhor que se pode dar a um aluno, como disse, não é justo.

- As crianças, incentivadas pelos pais e pelos diretores dos Colégios, gritam que gostam muitos da sua escola e que não querem mudar. No ensino publico, as crianças chegam ao fim do 4º ano e têm de mudar de escola, por mais que gostem da anterior. Muitos são os casos de que chegam ao fim do 9º ano e têm de sofrer uma nova mudança. Essas não as vêem a gritar de que não querem mudar de escola nem ninguém preocupado com isso;

- Que se está a colocar em risco muitos postos de trabalhos. Sim é um facto de que algumas pessoas ficarão sem trabalho com o fim destes contratos, mas no ensino publico, fruto da diminuição do número de alunos, também se verifica um decréscimo no número de funcionários e professores e não vejo ninguém dos que defendem o ensino privado, preocupado com esta situação. Algumas destas escolas públicas estão a ficar sem alunos porque têm a menos de 5 minutos de distância um colégio privado e os alunos que deveriam frequentar essa escola são canalizados para esse colégio;

-Por fim, e o mais ridículo são os partidos que nos governaram até Setembro de 2015, onde tiveram de efetuar cortes brutais na despesa do Estado, em alguns dos casos, sejamos justos, necessários, agora defenderem a continuidade dos contratos de associação sejam úteis ou não. Com esta defesa, estão a defender a duplicação da despesa do Estado com o ensino. Não os vejo defender as crianças que têm de percorrer Km para frequentar a escola sem ajudas para isso. Também não os vejo defender os pais que vêm as escolas perto de casa a encerrarem e os seus filhos deslocados para escolas a Km de distância. Promoveram  politicas de austeridade que colocaram no desemprego milhares de portugueses e obrigaram outros a emigrar e agora estão preocupados com algumas centenas que se possam perder com o fim destes contratos.

Estes argumentos já não convencem os Portugueses a aceitarem que este tipo de negócio continue a ser feito apenas para beneficio de alguns com prejuízo para muitos. Está na hora de dizer basta e este Governo decidiu fazê-lo, pelo menos por agora.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Défice. Sempre o Défice.

Veio ontem a público a análise efetuada pela U.E. ao défice português verificado em 2015, e mais uma vez, foram dadas recomendações e posta em cima da mesa a possibilidade de serem aplicadas sanções ao nosso país. 

As recomendações dadas são sempre as mesmas, diminuir a despesa e aumentar a receita. Teoricamente é o que é correto, mas será que estas recomendações são ou foram seguidas e serão exequíveis? Vamos ver:

Este ano é pedido um maior controlo dos gastos com a saúde de forma a manter a sustentabilidade deste sector. Ora, este foi um dos sectores onde existiu um maior corte na despesa entre 2011 e 2014, mas não na despesa com as rendas pagas aos privados, com as parcerias nesta área, não nos cortes das contratações com as empresas prestadoras de serviços, mas sim nos serviços prestados aos portugueses e nos vencimentos de quem nesta área trabalha. Se calhar com cortes nestas negociatas teríamos mais dinheiro para o que realmente é necessário e a sustentabilidade estaria garantida;

Outra recomendação tem a ver com uma maior transparência nas contratações públicas. Essa transparência deveria estar sempre presente, fosse qual fosse a contratação. Foram transparentes os contratos efetuados nas inúmeras PPP que temos atualmente, e que estamos todos a pagar? São transparentes os contratos efetuados com muitos escritórios de advogados para consultadoria e pareceres, quando o Estado tem advogados pagos para isso? São transparentes os contratos existentes entre o ensino privado e o Estado? Não, não são, são até bastante opacos;

Uma outra recomendação foi o aumento da receita, mas eu pergunto a onde? Vai aumentar os impostos sobre o rendimento? Vai aumentar ainda mais o IVA? Vai aumentar imposto sobre produtos petrolíferos? Vai aumentar o imposto automóvel ou o imposto de circulação? Pois é, nem a U.E. especificou em que sector da economia deveria ser aumentada a receita do Estado mas que falou neste aumento falou;

A única recomendação que é capaz de ser aplicada é a contenção no salário mínimo pago no nosso país, que segundo a U.E. “ deverá ser consistente com os objetivos de promover o emprego e a competitividade". Ora como se sabe, o aumento da competitividade e promoção do emprego no nosso país baseia-se sempre nos baixos salários. Temos alguns dos fatores de produção mais caros da Europa, nomeadamente a eletricidade, os combustíveis e as comunicações, mas os nossos empresários batem sempre na mesma tecla, na mais fraca, pois é mais fácil pagar pouco, pois ninguém reclama com medo de perder o emprego, do que "chatearem" as grandes empresas dos sectores acima referidos para redução de preços.

O défice em 2015 foi de 4,4%, mas este valor deve-se ao facto da intervenção do Estado no Banif. Também de referir que a solução para este banco foi encontrada pela U.E. juntamente com o Banco de Portugal e depois foi apresentada a fatura ao Governo, do preço desta solução. Estranho que depois sejam equacionadas aplicações de sanções ao nosso país quando o défice excessivo foi devido a uma decisão da própria U.E..

E mais uma vez se verifica que a U.E. não quer que o espaço europeu, principalmente no Sul, seja democrático, pois as sanções, a serem aplicadas, serão apenas depois das eleições em Espanha e dessa forma tenta-se manter em funções Governos que concordam com tudo o que seja imposto por Bruxelas sem protestar e questionar a eficácia dessas imposições.



terça-feira, 17 de maio de 2016

O Presente e o Futuro do Sector Bancário. E o passado? Não se resolve?

Aconteceu hoje, promovido pelo canal de televisão TVI24, uma conferência com o nome de “ O presente e o Futuro do Sector bancário”.


Assisti atentamente a esta conferência para verificar quais as mudanças que seriam introduzidas de forma a serem evitadas as situações vividas num passado, muito recente aliás, provocado por algumas das instituições deste sector e que tão caro saíram ao país.

Mas logo após ao término desta conferência, fiquei com a sensação de nada iria mudar, nada do passado seria resolvido e que tudo irá se manter igual, senão vejamos:

Disse o 1º Ministro que os portugueses não iriam contribuir mais para a banca, nem seriam estes a suportar mais as dívidas dos mesmos. Até aqui tudo bem, de acordo, mas foi o que aconteceu recentemente com o Banif? Não, não foi. Esse banco foi vendido pelo “preço da chuva” ao Santander Totta por 150 milhões de Euros, no entanto foram aplicados neste banco 489 Milhões de Euros do Fundo de Resolução e 1.766 Milhões de Euros por parte do Estado que, ao fim e ao cabo, somos todos nós;

Falaram-se das vantagens da Supervisão Bancaria, contudo não foi falado das incompetências constantes do Supervisor deste sector, que em Portugal é, como se sabe, o Banco de Portugal. Convém lembrar que este Supervisor, independente e autónomo, não detetou irregularidades graves e fraudulentas nos casos do BPN, BPP, BES e por fim no caso do Banif;

Uma das afirmações mais acertadas que ouvi nesta conferência, saiu da boca do Sr. Fernando Ulrich, quando referiu que existem bancos bem geridos e outros mal geridos, mas no entanto não ouvi qualquer referência à punição e de que forma a mesma deveria ser aplicada a estes “maus gestores bancários”. Nada desse assunto foi falado. Já agora, penso que se lembram que o senhor em questão foi o mesmo que proferiu a famosa frase “Ai aguenta, aguenta”, referindo-se aos portugueses, que em 2011 estavam a sofrer uma terrível austeridade, e esquecendo-se que o próprio banco, ao qual presidia e que ainda preside, estava a ser intervencionado pelo estado, e com o dinheiro de quem? Vocês sabem muito bem.

Outro facto não falado tem a haver com a criação de mecanismos que puna de forma célere os principais culpados das maiores fraudes neste sector. Segundo me lembro, o caso BPN foi considerado uma das maiores fraudes de que há memória em Portugal, mas ao fim de quase 8 anos de investigações, inquéritos parlamentares, ainda não existem quaisquer condenações e o caso acabou por cair no esquecimento, mas esta fraude ainda perdura no bolso dos contribuintes. Temo que pelo mesmo caminho irá seguir o caso BES.

 Também não me recordo de se ter falado nos lesados do BPN, BPP e BES? Esses não contam? Então os depositantes, a razão pela qual existem os bancos, não fazem parte deste sistema? Pelo que ouvi, parece que não. Segundo me pareceu, os depositantes apenas fazem parte do sistema quando têm que pagar pelas “brincadeiras” deste sector.

Para finalizar, apenas queria lembrar de que não podemos avançar para o futuro sem primeiro resolvermos o passado e o que vi nesta conferência, foi exatamente o contrário.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Escândalo das Apostas do Futebol. Como tudo funciona.

O último dia do Campeonato Nacional da 2ª Liga ficou manchado com a detenção de dezenas de pessoas, entre jogadores e dirigentes desportivos, e de certeza que o número de detidos irá aumentar nos próximos tempos.

A maioria dos portugueses ficou ontem a saber, enquanto outros apenas confirmaram as suas suspeitas, de que no nosso futebol existem de facto resultados combinados e manipulados.
Este é um fenómeno que não apareceu do dia para a noite, mas sim algo que existe há já algum tempo a esta parte. Aliás, as nossas autoridades já foram várias vezes avisadas para o aumento de casos de manipulação de resultados, principalmente nos escalões mais baixos do nosso futebol.

Para quem não sabe, estima-se que anualmente o Mercado das Apostas Desportivos movimente entre os 200 e os 300 mil milhões de euros em todo o Mundo. Por este motivo é um mercado bastante rentável e bastante apetecível, logo também e infelizmente, bastante sujeito à existência de manipulação de resultados.

Como se sabe a manipulação de resultados não é mais que a combinação do resultado final de um jogo de futebol, combinação essa efetuada entre as Máfias que controlam estes esquemas e os agentes desportivos, sejam eles jogadores, árbitros, treinadores e até dirigentes desportivos.

Mas será que este fenómeno atua apenas nas divisões inferiores do futebol, poderão perguntar.

Infelizmente não, embora as divisões inferiores sejam mais permeáveis a estes esquemas, muito em parte devido aos baixos salários auferidos nestes escalões, o mesmo acontece nos escalões superiores, e nem mesmo algumas competições como a Liga dos Campeões ou Liga Europa escapam à rede destes esquemas.


Tais esquemas não lesam apenas os Apostadores, mas também o próprio Futebol fica lesado, pois não só aumenta a descrença  nos resultados finais dos jogos, como a própria honestidade e o profissionalismo dos próprios intervenientes estão a começar a serem postos em causa.

No nosso país, estes esquemas têm acontecido com muita regularidade, já que atualmente não existe legislação que permita a existência de Casas de Apostas Online. Esta legislação iria permitir o funcionamento destas casas num mercado devidamente regulado e controlado, onde mais facilmente seriam monitorizadas, de forma a serem evitadas fraudes, e de certeza que o número de apostadores seria bastante elevado, para além de permitir ao nosso Estado arrecadar mais dinheiro em impostos.

Enquanto tal não acontecer iremos, com toda a certeza, assistir a um aumento desta prática e consequentemente a um aumento das detenções, competindo aos muitos Apostadores estarem atentos aos indícios de fraude e sempre que possível denunciarem-nas quer às autoridades quer a outros Apostadores.




domingo, 15 de maio de 2016

Campeonato de Futebol à Portuguesa

Chegou hoje ao fim o Campeonato de Futebol da época 2015/2016 com o Benfica Tricampeão. Foi talvez o campeonato mais emocionante e competitivo dos últimos anos, com dois clubes a lutar estoicamente até à última jornada pelo ambicionado titulo, caso raro no nosso campeonato.

Mas, o que é um Campeonato à Portuguesa?

Como é sabido por toda a gente, o campeonato em Portugal tem a duração de nove meses e se puxarmos um pouco pela nossa imaginação, podemos fazer uma analogia e compara-lo ao tempo de gestação de um bebé, que também são de nove meses.

Como no início de qualquer gravidez, existem três hipóteses para os pais, terem uma menina, um menino ou gémeos. No nosso campeonato temos três candidatos crónicos ao título, Benfica, Porto e Sporting. A ordem pela qual coloquei os clubes não foi aleatória, porque o números de meninas nascidas é muito superior ao número de meninos e o número de gémeos é o mais reduzido, logo e pela mesma ordem temos o Benfica com mais campeonatos ganhos,35,  o Porto a seguir com 27 e por último o Sporting com apenas 18 campeonatos conquistados.

Como também acontece na gravidez, fazem-se ecografias para verificar se tudo está a correr bem e aproveita-se para saber qual o sexo do bebe e se é apenas um ou se serão gémeos. Normalmente e nos últimos anos, ao fim de quatro meses de campeonato decorrido já existia um vencedor, no entanto, este ano subsistiu a dúvida, seria apenas uma menina ou então 2 meninas, como quem diz gémeas? Para sorte dos pais, foi apenas uma menina.

Podemos constatar que o nosso campeonato é provavelmente o mais interessante dos campeonatos europeus, não pela fabulosa prestação desportiva das equipas, mas sim pelas tristes e não menos fabulosas prestações que são protagonizadas por muitos dos dirigentes e responsáveis pelo nosso futebol. 
Acusações, suspeitas não provadas, más educações e ataques pessoais são usados como armas, o que hoje é a mais pura das verdades amanhã será talvez a mais infame das mentiras e se agora sou teu amigo prepara-te que logo serei teu inimigo. E assim se caracterizam os dirigentes e responsáveis do futebol em Portugal.

Outro facto tem a ver com os famosos Derbies, verdadeiros espetáculos no que concerne ao jogo praticado fora das 4 linhas, porque dentro das mesmas o espetáculo é muitas vezes deprimente. Na semana anterior os adeptos são bombardeados com suspeitas, acusações de suspeitas, mas nada provado. Após o jogo, quem ganha é porque foi a melhor equipa em campo, mesmo tendo a noção de que tal é pura mentira e quem perde justifica-se com erros de arbitragem mesmo que esses erros não tenham acontecido. Na semana seguinte já ninguém se lembra do jogo, quem marcou golo ou quem sofreu alguma fífia, mas o suposto erro, o minuto da sua prática e o que poderia ter acontecido se tal erro não tivesse existido, esse sim, fica na memória coletiva dos adeptos que perderam o jogo.

Tudo isto faz com que tenhamos não o mais competitivo campeonato de futebol da Europa, mas com certeza que temos o mais divertido e mais rentável para a imprensa desportiva.

Para finalizar, apenas quero dar os meus parabéns a todos os Benfiquistas pelo título conquistado e a todos os Sportinguistas pelo excelente campeonato que fizeram e pela emoção que trouxeram de volta ao nosso Campeonato à Portuguesa.

Quem sou, e o porquê deste Blogue

Olá a todos. 
O meu nome é Manuel, um simples cidadão como tantos outros existentes neste país, trabalhador, marido e pai de filhos.

Decidi criar este Blogue para poder exprimir e partilhar a minha opinião acerca de alguns assuntos que são relevantes para o nosso país, e que de alguma forma poderão influenciar a nossa vida.

Um outro motivo que me levou a criar este Blogue, foi dar a conhecer às pessoas o que pensa um simples homem do povo, que nunca exerceu qualquer cargo politico ou diretivo e que “sente na pele” o mesmo que a maioria dos portugueses, ao contrário de muitos famosos comentadores, que todos os dias aparecem nos meios de comunicação social, que falam de muitos assuntos, mas que na realidade não passam pelas inúmeras dificuldades impostas ao português comum.

Não é minha intenção influenciar ou impor as minhas ideias, mas sim e apenas, poder partilha-las convosco de tal forma que ficarei feliz se alguém não concordar com as mesmas, pois é sinal de que mais alguém também pensa, questiona-se e tem opinião própria acerca de alguns dos assuntos aqui tratados.

Para finalizar, espero que todos os temas aqui opinados sejam do agrado de quem seguir este Blogue e que a minha opinião sobre mesmos esteja em concordância com a opinião da maioria dos portugueses.


A todos, um Bem-haja,

Manuel.